Num grupo de escrita criativa do qual participo, alguém me deu um tema para um novo artigo. Seu desafio é criar um texto com base na seguinte frase: “Aceitem a Jesus como seu Salvador pessoal e recebam os benefícios por ele proporcionados”.

Bem, isso é fácil porque Jesus é como o sabão OMO: lava mais branco.

Não, a sério! É fácil porque, para um cristão, não deveria sequer ser um desafio explicar porque alguém deveria aceitar Jesus como seu salvador… O problema é que haviam acabado de me enviar um vídeo pelo Whatsapp.

O vídeo era o testemunho de um jovem de dezesseis anos que foi preso no Uzbequistão por pregar a Cristo; de como ele foi torturado diariamente com agulhas sob as unhas para desistir de Cristo; e de como, mesmo sob tortura, ele continuou não só a ser cristão mas a pregar a Cristo dentro da prisão.

E isso me fez pensar. Como é que eu explico a alguém que não te conhece, Deus, que benefícios trouxe Cristo a esse jovem?

Ser torturado diariamente com agulhas debaixo dos dedos? Eu me sinto mal só de pensar nisso… Ir para a prisão? Não é algo que ache particularmente apelativo… Ficar longe da sua família? O que aquele jovem ganhou por crer em Cristo?

Para mim, é óbvio que aquilo que aquele jovem encontrou em Cristo é tão precioso que tudo o resto se tornava secundário.E isso vai muito além do “dar e receber” que parece resumir o evangelho dos nossos dias.

Falamos de um Deus carente, que parece necessitar do nosso dinheiro, do nosso amor e das nossas boas obras; e que está disposto a pagar em dobro por aquilo que receber.

O problema é que isso não é verdade, pelo contrário. A bíblia diz que o cristão dá daquilo que recebeu.

Primeiro Deus nos deu. O quê? Tudo!

Depois nós damos a Deus o que recebemos. O quê? Tudo!

Quando Deus olha para nós, vê criaturas cheias de imoralidade sexual, de impureza, de sensualidade, de idolatria, de feitiçaria, de hostilidade, de discórdias, de ciúmes, de acessos de raiva, de ambições egoístas, de dissensões, de divisões, de inveja, de bebedeiras, de festanças desregradas e outros pecados semelhantes.

E nenhuma dessas coisas interessa minimamente a Deus mas, ainda assim, ele nos ama com um amor incondicional.

E por nos amar de forma incondicional, deu seu único filho, Jesus Cristo, para morrer por nós. Para que, com sua morte, se tornasse Senhor e nos salvasse.

E, ao sermos salvos, morremos para o mundo e renascemos como filhos de Deus. Deixamos de ser as criaturas que éramos e passamos a ser cheios de amor, de alegria, de paz, de paciência, de amabilidade, de bondade, de fidelidade, de mansidão e de domínio próprio.

À noite, ao deixarmos na cama, quando estamos sozinhos, não sentimos mais aquele vazio… não andamos à procura de um propósito. Como filhos de Deus, sabemos quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Ainda, sabemos que, todos os dias, Deus está conosco.

Portanto, ser cristão não tem a ver com benefícios, ainda que eles existam. Ser cristão é ter uma identidade, ter uma certeza e ter um relacionamento com um pai que nos ama.

E a partir daí, como Paulo diz em Romanos 8:28, tudo o que nos acontece contribui para o nosso bem, nós que amamos Deus e nos encontramos dentro dos seus planos.