Já passou mais de um ano desde o início da pandemia. Ouvi falar muito do vírus chinês, mas não é verdade. O COVID é um vírus romano. E romano no pior dos sentidos: escravocrata.

E o que tenho visto é que o mundo se deixou escravizar. Jamais pensei que seria tão fácil, mas foi. De repente, o medo justifica tudo.

Tudo começou de forma muito inocente. Tenho que ficar em casa para não apanhar a doença. Tem sentido limitar-se a um “banho de sol” de trinta minutos por dia. É importante proteger-me a mim próprio e aos outros. Estou ainda mais seguro se só sair à rua de máscara.

Agora já acho normal que os idosos estejam há mais de um ano sem poderem sair dos lares onde vivem. Outro dia vi na televisão uma velhinha a abraçar o filho, enrolada num plástico transparente, com toda a gente achar uma excelente ideia.

Preservativos Durex: natural, sensível, extra-lube e idoso.

As lojas que gostava de ir, foram-se. De agora em diante, passarei a comprar livros exclusivamente em centros comerciais ou online, porque pelo menos duas das livrarias que costumava frequentar, acabaram crucificadas.

Não se pode sair de um país, não se pode entrar num país. Não se pode isso, não se pode aquilo. A cada dia, mais prisioneiro.

Este COVID — vírus romano — cria uma cultura de medo e de escravidão. Dizem que o que é temporário, quase sempre vira permanente.

Acho extremamente engraçado que o mesmo primeiro-ministro que, há um ano, não queria que se declarasse o estado de emergência por recear o precedente que tal abriria sobre as liberdades individuais, hoje, quinze estados de emergência depois, preferisse que fossem declarados mais uns quantos, até ter a certeza de que os portugueses não iriam “portar-se mal”.

O chicote continua à medida que entramos no verão. Esta vacina não pode, aquela eu não aconselho, mas é essencial que todos tenhamos o nosso “passaporte verde” para que seja mais fácil viajar e dormir com segurança. Não é obrigatório, porque isso seria inconstitucional, há sempre outra opção… extremamente cara e complicada, mas há sempre outra opção.

Mais perdas de liberdades, mais controlo… de uma hora para a outra, tudo é desculpa para restrições. E acho bem, porque assim estarei mais seguro.

Hitler chegou ao poder democraticamente. Na altura, parecia uma excelente opção. A Alemanha estava numa enorme crise — não era COVID — e ele tinha uma saída. O mais curioso é que a solução dele funcionou… a custa de uma guerra, mas funcionou.

O AI5 brasileiro também parecia excelente na altura. Conversei com algumas pessoas que viveram o golpe militar, e todas me disseram que o país estava um caos, que o perigo do comunismo era real, e que foi a coisa certa a fazer… só não contavam que a ditadura durasse tantos anos.

Não digo Marcelo Caetano, porque o regime já estava muito desgastado na sua altura, mas sou capaz de apostar que a vasta maioria dos portugueses apoiava Salazar.

O COVID — Terrorismo, Recessão, Crise, seja qual for o seu nome — é sempre um vírus romano, escravizador. O seu grilhão é o medo, e o seu chicote é a segurança. Tem sido sempre assim ao longo da História, e é assim agora.

O que me deixa realmente assustado, é ver muito pouca gente a olhar para o passado, considerar o presente e pensar no que será do futuro. Como alguém comentou outro dia numa rede social, a liberdade é como um peido: esfumaça-se no ar.