Vi nas gordas de algum noticiário por aí, que a quarta vaga veio para ficar. Ainda bem! Estava com muito medo que viesse a quinta vaga, com invasões alienígenas e aniquilações em massa, mas assim já fico mais tranquilo.

Mas não muito, ainda é preciso tomar cuidado com o COVID. Por isto mesmo estou a escrever esta crónica na praia de Carcavelos, acompanhado por alguns milhares de portugueses que, como eu, acreditam que a melhor forma de se proteger deste vírus é calor solar e sal marinho.

Alguém corre com um disco frisbee na mão e suja de areia uma distinta senhora que trabalha para o bronze. Para, em completo desespero. «Esqueci-me da máscara!» Olha para um lado, olha para o outro, percebe que não há nenhum polícia e continua alegremente até o quiosque, onde compra uma Heineken gelada.

Mais uma notícia… o nosso primeiro-ministro está em isolamento profilático apesar de já ter sido vacinado com as duas doses da vacina. Sorrio para não chorar e chego a conclusão de que fiz a coisa certa em er saído de casa.

Porque, vejam bem, se alguém que já foi vacinado com as duas doses da vacina vai entrar em isolamento profilático, só há dois caminhos possíveis para a humanidade:

  1. Morremos todos, porque a vacina e os tratamentos não servem para nada e estamos todos condenados… e se estamos condenados, o melhor é vir para a praia mesmo.
  2. Vivemos todos, porque a vacina funciona lindamente e alguém está com problemas sérios de hipocondria… e se todo este exagero de quarta vaga não passa de um preciosismo imaginário, então o melhor é vir para a praia mesmo.

Temos 50% da população portuguesa vacinada, incluindo a grande maioria da população de risco, da qual faço parte. Estamos no verão. O número de mortos é baixíssimo e o SNS está muito, mas muito longe da ruptura. Não sei bem onde é que está essa quarta vaga, mas acredito que se o primeiro ministro veja razões para isolar-se profilaxicamente, também deva estar a vê-la muito claramente.

«Mas a COVID ainda anda por aí!» Alguém dirá e bem.

Tenho uma novidade, a gripe também anda.

Não é só ela, há também a SIDA, o cancro, a tuberculose, a meningite, a hepatite, a disenteria, o herpes e até o pé de atleta. A grande questão aqui é como tínhamos coragem de sair à rua antes de fevereiro de 2020?

Mamãe ensinou-me em casa e a professora ensinou-me na escola: há as regras básicas da higiene. Se cair no chão, conte até cinco. Lave bem as mãos, escove os dentes e não enfie certas coisas onde não devem ser enfiadas (só para esclarecer, estou a falar dos dedos).

Com vacina e algum cuidado, recuso-me a estar trancado em casa, cheio de medo. Vou mais é à praia enquanto espero pela quinta vaga… se bem que é melhor que não haja nenhum ataque de alienígenas num futuro próximo, porque a luta contra um vírus já foi gerida da forma como foi, imagina se tivéssemos que lutar conta seres inteligente armados com raios laser?